O investimento em imóveis sempre foi muito popular entre os brasileiros. Mas a decisão de investir na compra de casas, apartamentos ou outros tipos de imóveis exige ter uma quantia alta de dinheiro, além de conhecimento sobre o mercado imobiliário que, como qualquer outro mercado, está sujeito a altas e baixas.
Os investidores, no entanto, já contam no Brasil com a possibilidade de investir em imóveis dispondo de volumes menores de recursos, aplicando em fundos de investimentos especializados no setor: os fundos imobiliários.
Os fundos imobiliários são fundos de investimento que se dedicam exclusivamente a investir em ativos do setor imobiliário, como prédios, hotéis, flats, empreendimentos residenciais, ou até títulos e valores mobiliários lastreados em imóveis. Os fundos são constituídos por cotas, que podem ser negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. Seu patrimônio pode conter um ou mais imóveis, parte de imóveis, direitos relativos a ele e outros ativos ligados ao setor imobiliário.
Veja abaixo quais os tipos de fundos, como é determinado o rendimento e as vantagens e riscos deste tipo de aplicação:
Tipos
Renda de aluguel – fundo que possui em sua carteira imóveis já construídos, que geram receita de aluguel;
Desenvolvimento imobiliário – fundos que investem em imóveis não concluídos, ainda em fase de projeto e construção;
Valores mobiliários – fundos que compram títulos e valores com viés imobiliário, como ações de empresas do setor, CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários), LCI (Letras de Crédito Imobiliário), LH (Letras Hipotecárias) e cotas de outros fundos imobiliários.
Rendimento
A lei que regulamenta os fundos imobiliários determina que ele distribua aos cotistas pelo menos 95% dos rendimentos a cada seis meses. “Mas a maioria faz pagamentos mensais aos investidores, que pode inclusive servir para complementar suas rendas”, explica Alexandre Machado que participa do Comitê de Produtos Financeiros Imobiliários da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Caso o investidor precise resgatar o dinheiro investido antes do encerramento do fundo, ele ainda pode vender suas cotas. “Como tem crescido o interesse dos investidores por esses fundos, não é difícil comercializar suas cotas, já que a liquidez tem aumentado” constata Machado.
Esse preço de negociação da cota varia de acordo com o produto. Para o cálculo da rentabilidade do fundo, portanto, é importante considerar, além do rendimento pago periodicamente, a possível valorização ou desvalorização do valor das cotas.
Vantagens para pessoa física
A grande maioria dos investidores de um fundo imobiliário são pessoas físicas, por causa das vantagens que esse produto oferece para elas. A principal é a isenção de imposto de renda sobre os rendimentos, concedida aos cotistas que tenham menos de 10% do patrimônio do fundo, desde que estes tenham mais de 50 cotistas e tenham suas cotas negociadas exclusivamente na Bolsa de Valores ou em mercado de balcão organizado.
Outros benefícios de investir em imóveis via fundos, na opinião de Machado, passam pela simplificação e possibilidade de acesso a bons investimentos. “O investidor não precisará se preocupar com a burocracia da documentação do imóvel, terá custos como os de administração, escrituração e corretagem diluídos e ainda terá a segurança de estar entrando num investimento já pesquisado e analisado por uma equipe de profissionais qualificados”, lembra. Isso, segundo ele, sem contar a possibilidade de entrar num grande negócio, sem precisar ter o capital total e poder vender apenas parte do investimento, numa eventual necessidade de resgatar os recursos investidos.
Como escolher
Antes de aplicar, Machado recomenda que o investidor informe-se sobre o administrador e gestor do fundo e verifique se tratam-se de instituições idôneas. Além disso, ressalta a importância de ler com atenção o prospecto.
Riscos
Os principais riscos são aqueles ligados ao próprio mercado imobiliário. Há também o risco de crédito de um inquilino, caso o fundo possua em sua carteira imóveis que geram receita de aluguel. Outro risco envolve uma possível falta de liquidez, caso o cotista queira resgatar o capital investido e não consiga vender a cota imediatamente.