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 Cinco respostas sobre o Tesouro Direto em tempos de queda de juros 

20/2/2017

 
Os títulos públicos ainda valem a pena? Por quanto tempo? Em que situação? O consultor financeiro André Massaro responde!

O Tesouro Direto – sistema que permite a compra de títulos públicos pela internet – virou o queridinho dos investidores nos últimos tempos. Mais de 1,1 milhão de pessoas estavam cadastradas para operar pelo sistema no fim de 2016, quase o dobro do número registrado um ano antes. Uma das razões foi a alta da taxa básica de juros, a boa e velha Selic. Ela saiu do nível mais baixo da história (7,25% ao ano) em 2012 para o mais alto em uma década (14,25% ao ano) em 2016. Isso beneficiou – e muito! – os investimentos de renda fixa, como é o caso dos títulos públicos. O resultado foi a procura mais intensa de todos os tempos pelo Tesouro Direto.

Mas agora os juros começaram a cair. E não foi pouco! De setembro do ano passado para cá, a Selic recuou 1,25 ponto percentual. Significa que saiu dos 14,25% ao ano e já chegou em 13% anuais. E junto com esse movimento começa a surgir um monte de dúvidas quanto a esse tipo de aplicação financeira. Será que ainda vale a pena? Em que situações?
Por quanto tempo?


Fizemos essas e muitas outras perguntas ao consultor financeiro André Massaro. Confira um resumo das respostas dele – e bons investimentos!

Os títulos públicos ainda são um bom investimento, mesmo com os juros caindo?
Sim. Na verdade, essa pode ser a última grande oportunidade de comprar títulos públicos pelo Tesouro Direto obtendo juros altos. Não se encontram aplicações de renda fixa com esse nível de retorno e de segurança em nenhum outro lugar do mundo.

Por que “última oportunidade”?
O governo federal está sinalizando que os juros devem cair ainda mais, e talvez não voltem mais para os níveis a que chegaram. Por isso, eu diria que a febre do Tesouro Direto ainda nem começou. Quem adquirir certos tipos de títulos públicos agora, com determinados vencimentos, poderá se beneficiar de uma rentabilidade elevada por um prazo longo.

Que títulos?
Nesse momento, são particularmente interessantes dois tipos de títulos. De um lado, estão os pré-fixados, aqueles que têm a taxa de remuneração definida desde o momento da compra. Do outro, estão os papéis corrigidos pela inflação. Isso porque eles oferecem aos investidores uma taxa de remuneração fixa, como os títulos pré-fixados, mais a variação da inflação. Nos dois casos, o fato de pagarem uma taxa já estabelecida – que agora está num nível bem alto – até a data do vencimento é o atrativo.

[No dia 20 de fevereiro, os títulos pré-fixados ofereciam taxas entre 10,11% e 10,33% ao ano, dependendo do vencimento. Os títulos corrigidos pela inflação ofereciam taxas entre 5,24% e 5,47% ao ano, mais a variação do índice IPCA]

Isso significa que os títulos pós-fixados perderam a atratividade?
Não. Os títulos pós-fixados – aqueles que oferecem a taxa Selic, que varia com o tempo – continuam interessantes. Mas, como os juros estão caindo, significa que no decorrer do tempo a rentabilidade de um título desses comprado hoje tenderá a ser menor a cada ano. Por isso, eles passam a ser mais indicados para as pessoas que podem ter a necessidade de resgatar o dinheiro aplicado antes do vencimento. Os títulos pós-fixados perdem o charme como ferramenta de construção de patrimônio, mas não como instrumento de reserva com liquidez.

Qual é o peso das taxas cobradas pelas corretoras nos investimentos em títulos públicos?
Pode ser grande. E os juros em queda evidenciam essa questão. Isso porque as taxas abocanham uma parte da rentabilidade dos papéis. Mas há cada vez mais corretoras isentando os investidores da cobrança de taxas nas negociações pelo Tesouro Direto. Pode parecer estranho, mas é uma estratégia comercial. Sem cobrar, elas atraem investidores que eventualmente não se interessariam pela aplicação. E ganham a chance de vender a eles outros produtos.

[No dia 20 de fevereiro, havia 13 bancos e corretoras que não cobravam taxas nas operações feitas no Tesouro Direto, segundo o site do programa. Fora a taxa cobrada pelos intermediários, os investidores também precisam pagar uma taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos que possuem.]


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Comentários postados (3)
Por: selma em 20/3/2017 às 14:46
Quero saber qual o valor mínimo posso investir e qual prazo para receber de volta ?
Por: ANTONIO DA SILVA COUTINHO em 6/3/2017 às 17:31
BOA TARDE! FOI A PRIMEIRA VEZ QUE TIVE CONTATO DESSA NATUREZA. ACHEI MUITO ELUCIDATIVO!
Por: maria do carmo costa maria do carmo em 28/2/2017 às 16:58
Otimo esclarecimento para o atual momento.
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