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 Entenda a relação entre Inflação, Juros e as Aplicações Financeiras 

16/9/2008

 
Uma das principais armas do governo para conter a inflação é o aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic.

A inflação voltou a rondar o cenário econômico nos últimos meses. O aumento nos principais indicadores de inflação teve origem, principalmente, da combinação de dois fatores: demanda doméstica aquecida e choque nos preços das commodities (para saber mais acesse a matéria O que são commodities?).

Vamos entender um pouco mais esses fatores.

O aquecimento da demanda foi provocado pelo aumento da renda. Ou seja, com uma renda mais alta as pessoas tendem a comprar mais. Há um risco nesse movimento. Se a indústria não conseguir produzir os bens para atender aos pedidos no mesmo ritmo da demanda, os preços aumentam. O que de fato ocorreu.

O outro fator que impactou no aumento da taxa de inflação foi a alta volatilidade da cotação das commodities - principalmente as variações de preço do petróleo - importante insumo do setor produtivo.

Como conter o aumento da inflação?

No Brasil há o sistema de metas de inflação que foi implantado desde 1999 pelo Conselho Monetário Nacional. Por meio desse regime, o governo estipula um teto para o índice inflacionário, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) no período de dois anos. Para o Banco Central - BC, "manter a inflação sob controle é pré-condição para o crescimento sustentável. Os elevados índices inflacionários impedem o planejamento de longo prazo e desestimulam o investimento no setor produtivo, além de impor custos sociais, ao provocar a piora na distribuição de renda".

Atualmente, o centro da meta prevista pelo Banco Central é de 4,5%, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Ou seja, o teto do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) deve ser de 6,5%. Para que o índice não extrapole este limite, o governo, adota medidas de política monetária, visando o controle do aumento da inflação. Uma das principais armas tem sido o aumento da taxa básica de juros da economia, a chamada taxa Selic.

Por esse motivo, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) elevou a taxa de juros básica (Selic) três vezes ao longo deste ano, passando de 11,25% para 13,75% ( definida na reunião de 10 de setembro). Mas qual o possível impacto do aumento da taxa de juros na inflação?

A elevação da taxa de juros visa a frear o crescimento do crédito no País e, como consequência, reduzir o consumo. A taxa Selic é utilizada como referência para o custo dos empréstimos financeiros, e o seu aumento significa crédito mais caro. E crédito mais caro tende a reduzir o consumo. Redução do consumo tende a estabilizar os preços. Estabilização dos preços tende ao controle inflacionário.

Inflação e as aplicações financeiras

Tanto a inflação como os juros afetam as aplicações financeiras. O aumento da taxa de juros básica da economia, a Selic, torna mais atraente o rendimento dos títulos de renda fixa que acompanha essa taxa (tanto os papéis públicos como, por exemplo, as LFT´s do Tesouro Nacional e também os títulos das dívidas de companhias privadas).

Já a redução da taxa de juros causa a migração dos recursos de aplicações mais conservadoras (renda fixa), indicadas para o curto prazo, para aplicações mais "agressivas" (renda variável) indicadas para o longo prazo.

A inflação pode comprometer os ganhos de qualquer tipo de aplicação financeira. Em tempos de alta inflacionária, é preciso estar atento ao ganho real na hora de definir o investimento ou mesmo acompanhar suas aplicações. É importante saber qual é a rentabilidade real da sua carteira de investimentos descontando-se a taxa de inflação. Para saber como calcular a rentabilidade real (ganho real) acesse nesse portal a matéria Fique de olho no ganho real.

Isso não quer dizer, porém, que você deve sair correndo e alterar as suas aplicações diante de cada anúncio de variação da inflação ou da taxa de juros. Evite cometer esse erro. Em cenários de incerteza econômica, o longo prazo é, geralmente, um ótimo aliado. O que vale é definir a estratégia para a sua carteira de investimentos conforme os fundamentos do cenário econômico e os seus objetivos pessoais. Depois faça revisões periódicas, apenas para ajustar o que for necessário.


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Comentários postados (1)
Por: Josy Ellen em 30/10/2010 às 23:51
o que são sistemas de metas de infaçao? quem determina e quem acompanha
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