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 Com que frequência preciso avaliar minhas contas? 

21/3/2017

 
Fizemos essa pergunta ao planejador Valter Police Júnior. As respostas vão te ajudar a organizar melhor seu fluxo financeiro, sem cair na paranoia!

Manter os olhos bem abertos às próprias contas é uma recomendação comum dos consultores financeiros. Quem não acompanha os gastos, as dívidas e os investimentos corre o risco de perder o controle do bolso – e, com isso, não atingir os objetivos que tem para o seu suado dinheirinho. Mas com que frequência é preciso reavaliar tudo? Todo dia? Toda semana? Todo mês? Todo ano? A resposta não costuma agradar: depende!

Para esclarecer essas dúvidas, Como Investir pediu ajuda ao planejador financeiro pessoal Valter Police Júnior. Ele indicou com que frequência é preciso parar para estudar cada tipo de conta – o resultado você confere logo abaixo.

SEU ORÇAMENTO

Fontes de informação – Extrato da conta corrente, fatura do cartão de crédito, contas de serviços, boletos, comprovantes de pagamento e anotações pessoais.

Elaboração – Embora haja mudanças no meio do caminho, seu orçamento mensal pode ser planejado uma vez por ano. Essa pode ser uma das suas metas para as primeiras semanas de janeiro, quando as coisas costumam ainda estar andando devagar e às vezes sobra um tempinho. Mas os ajustes podem ser feitos sempre que parecer necessário (quando o valor do aluguel é reajustado, aumentando as despesas, ou quando se recebe uma promoção no trabalho, aumentando as receitas).

Acompanhamento – Semanal. Reserve alguns minutos daquele domingo sem muito o que fazer para avaliar suas contas. Tire um extrato da conta corrente e confira quais foram seus principais gastos. Faça o mesmo com a fatura do cartão de crédito, que é mensal, na semana em que ela chegar. Isso vale também para suas contas de serviços, como a do celular. Junte comprovantes de pagamento e o que mais tiver para acrescentar à análise.

O que você ganha – Quem faz esse acompanhamento tem o benefício óbvio de entender onde o próprio dinheiro está sendo gasto, mas ele não é o único. É olhando para sua movimentação bancária que você poderá perceber, por exemplo, se foram cobradas compras que você eventualmente não fez. Checando a conta do celular você notará se algum serviço não solicitado foi incluído no seu pacote. Esse hábito pode prevenir desde perdas com fraudes no cartão de crédito até o pagamento de itens que você nunca quis ter.

O que você perde – A falta de acompanhamento do orçamento conduz ao desperdício. “E o cidadão fica sem saber se está gastando com o que realmente gosta, com o que vale a pena”, afirma Police.

SUAS DÍVIDAS

Fontes de informação – Extratos bancários, contrato do financiamento, saldo devedor consultado junto ao credor

Acompanhamento – Depois de você listar quanto está devendo, quanto ganha, quanto consegue reservar para abater do saldo devedor e, com isso, concluir quando acabará de pagar os financiamentos, as revisões desse plano devem acontecer sempre que houver um fato novo. É o caso de quando entra uma grana extra (a restituição do Imposto de Renda, por exemplo) ou de quando você perde uma fonte de renda (o inquilino saiu do seu imóvel, digamos, e agora não há mais aquela renda do aluguel). No caso de empréstimos longos, como um financiamento imobiliário, a revisão deve ser anual. Isso porque as taxas de juros variam com o tempo – e você pode conseguir negociar condições melhores com seu credor ou até migrar para a concorrência, pagando menos.

O que você ganha – Quem planeja e acompanha o pagamento das dívidas costuma se livrar mais rapidamente delas, por ter um controle mais preciso de como estão evoluindo.

O que você perde – Quem demora muito tempo para sair do endividamento pode ter a sua situação agravada com novos empréstimos para cobrir os antigos. Nessa bola de neve, o risco é ter o nome negativado junto aos órgãos de proteção ao crédito – e muitas noites mal dormidas.

SEU PATRIMÔNIO

Fontes de informação – Extratos bancários, comprovantes de investimento, declaração de Imposto de Renda

Elaboração – Comece a montar um balanço do seu patrimônio a partir do momento em que passar a ter, de fato, algum patrimônio. Deu para manter algum recurso na poupança? Conseguiu investir em títulos públicos ou ações? Comprou um imóvel? É hora de colocar tudo isso no papel. Os ajustes devem ser feitos uma vez por ano ou sempre que parecer necessário (quando você tiver acrescentado uma nova aplicação aos seus investimentos, por exemplo).

Acompanhamento – Semestral. Uma sugestão é reavaliar todo o seu patrimônio no início do ano e, depois, novamente nas férias de julho. Ou aproveitar o embalo da declaração do Imposto de Renda, entre março e abril, e outra vez entre setembro e outubro. É nesses momentos que você deve avaliar quanto aplicou, quanto ganhou (ou perdeu), além de comparar o rendimento dos seus investimentos com o de outros produtos.

O que você ganha – O acompanhamento permite verificar se os investimentos que você escolheu estão atendendo às suas expectativas. Com isso, será possível concluir se determinada aplicação é realmente a melhor para o objetivo que você tinha imaginado inicialmente. “Achar o investimento certo para o objetivo almejado aumenta as chances de sucesso”, avalia Police. Além disso, estudar as opções permite encontrar as melhores oportunidades.

O que você perde – Quem não supervisiona os próprios investimentos pode acabar deixando de melhorar o seu rendimento por perder boas oportunidades disponíveis no mercado. Também pode perder dinheiro ao movimentá-lo em um momento desfavorável (vender ações em momentos de baixa da bolsa de valores é uma má escolha, mas como você vai saber que seus papéis estão valendo menos do que quando os comprou sem segui-los?). Mas atenção: acompanhamento tem limite! “Exagerar na dose do acompanhamento é ruim porque o cidadão corre o risco de começar a querer pular de um investimento para o outro, gastando dinheiro com impostos maiores e comissões”, diz Police. Fora a chance de passar a se preocupar demais com o desempenho das aplicações, o que também é ruim.


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