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 Jogos de tabuleiro podem auxiliar na educação financeira das crianças 

Edição 43 - 7/7/2009

 
Especialistas indicam os brinquedos mais adequados para cada idade.


Jogos de tabuleiro podem auxiliar na educação financeira das crianças

Na educação financeira de crianças e adolescentes, vale o bom exemplo dos pais. Não adianta aconselhar uma coisa e fazer outra. Pessoas aprendem por imitação ou rejeição, e não será diferente quando o tema for dinheiro ou qualquer bem finito. Jogos são ferramentas úteis para despertar o interesse sobre o assunto e criar um ambiente favorável a conversas sobre, por exemplo, quanto custam as férias da família, a festa de aniversário, as despesas mensais, uma ida ao cinema e, ao mesmo tempo, incutir valores sobre o que é necessário e o que é supérfluo . Educação financeira é um processo que começa cedo, com a intenção de se criar um adulto responsável, próspero e consciente de que o planeta é perecível.

A professora de Economia Comportamental da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Vera Rita de Mello Ferreira, aconselha observar o desenvolvimento psicossocial da criança. É absurdo falar de juros para uma criança de seis anos, mas ela vai conseguir entender o que acontece se ela tiver que esperar para realizar uma vontade. "O modo como as escolhas são feitas suas consequências são conceitos que podem ser introduzidos a crianças, desde que elas começam a se relacionar com outras pessoas", ensina. Diante disso, é importante manter a coerência entre o que a família faz e o que prega aos pequenos. Se houver uma dissonância neste aspecto, a criança poderá ficar confusa. "Isso não significa que os filhos vão administrar as finanças da mesma forma que os pais, muitas vezes eles podem fazer exatamente o contrário, mas é importante saber que eles serão sempre a referência", afirma.

Mesmo que o pai ou a mãe não sejam tão organizados com o orçamento familiar Cássia D´Aquino, especialista em educação financeira, aposta sempre no uso da sinceridade. Abrir o jogo e alertar que não são perfeitos, mas que gostariam de realizar um esforço conjunto para que as finanças melhorem, pode criar uma cumplicidade entre os membros da família, de acordo com D´Aquino. No entanto, este tipo de situação deve levar em consideração a idade dos filhos, uma vez que apenas os adolescentes e jovens estão preparados para enfrentar os problemas de orçamento. Crianças não devem ter qualquer responsabilidade.

Os jogos, na idade em que muitas crianças começam a ganhar mesada ou semanada, servem para despertá-las para a existência das finanças como parte natural do cotidiano. Um joguinho que facilita o contato com o dinheiro, para crianças de seis a sete anos, é o Corrida à Caixa Forte. É um jogo de corrida, baseado na sorte dos dados. Como fundamento de educação financeira, aproveita-se basicamente a questão do manuseio de moedas, que formam o tesouro do Tio Patinhas. Ajuda as crianças a aprender a contar, dividir e subtrair, podendo ganhar ou perder dinheiro neste processo. .

Outro que está no mercado é o Administrando seu Dinheiro, da coleção Pais&Filhos. Um joguinho simples, com as tradicionais corridas baseadas na sorte. Tem por aspecto positivo o fato de as crianças manusearem dinheirinho de brinquedo, utilizado para compras, prendas, bônus e penali dades, associado ao fato de apresentar conceitos de empréstimos e pagamento de juros. Os ganhos e perdas financeiras estão associados a diferentes situações do cotidiano. Este é indicado para crianças a partir de sete anos.

Quando as crianças passam dos dez anos, um dos jogos recomendados é um dos mais tradicionais e fáceis de encontrar o: Monopoly ou Banco Imobiliário, que atravessa gerações e fala de dinheiro de uma maneira divertida. No jogo, um participante fica rico e os outros vão à falência em função de compras e vendas de imóveis. O editor do portal Mais Ativos, Álvaro Modernell, acha que o Banco Imobiliário é interessante porque pode reunir a família de maneira informal e toca em temas importantes das finanças, como saber fazer investimentos, lidar com a perda de dinheiro, renda extra e até a questão da sorte. "Este é um jogo super conhecido, de fácil acesso, resgata a infância dos pais e permite uma conversa natural sobre dinheiro, sem aquele tom muito sério", explica Modernell.

A partir dos 12 ou 13 anos, o adolescente pode participar de forma indireta no planejamento financeiro familiar ou algum evento que envolva orçamento, na opinião da professora Vera Rita. "Acho importante que a perspectiva não seja dinheiro, mas decisões econômicas, administração de bens escassos", ressalta. Os adolescentes podem achar divertido, por exemplo, programar as férias da família: quanto vão durar, para onde viajar, algum item como hospedagem, ou qualquer aspecto em que se possa usar a criatividade no que diz respeito ao orçamento.

Diante de tanto apelo ao consumo, a professora dá ainda a dica de um vídeo para que os jovens tenham a consciência de que trocar o celular ou computador com frequência tem suas implicações no planeta. Trata-se de "Story of Stuff" (História das coisas), que traça um panorama bem real de como as coisas são produzidas, consumidas, até o descarte.

No computador

Opções de jogos eletrônicos para jovens são várias. Existe ainda o The Sims, em que o participante fica responsável por uma personagem criada por ele e que precisa trabalhar para sustentar a casa comprando comida, pagando contas de luz e água, como em qualquer lugar. Dessa forma, o participante toma decisões para que a existência virtual seja sustentável.

A especialista Cássia D´Aquino aposta na diversão proporcionada pelos jogos, mas ressalta que não há jogo estritamente relacionado à educação financeira, nem que substitua a presença dos pais. D´Aquino avalia o The Sims como bastante interessante, porque apresenta perspectivas que estes jovens vão encontrar no futuro. "O jogo insinua que para cada problema existem várias soluções, e que é preciso ver qual a mais adequada para aquele momento", diz.

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