Nascidos sob a economia estável e a necessidade de educação financeira para conquistar seus objetivos, os jovens e adolescentes atuais têm uma relação com o dinheiro que parece estar bem diferente da geração anterior. “Havia na década de 90 um comportamento de imitar o mundo adulto, em que o importante era enriquecer. Com a crise financeira, essa ostentação do dinheiro parece ter diminuído, apesar de o dinheiro ainda ser muito sedutor”, afirma Cássia D´Aquino, consultora especialista em educação financeira.
De acordo com a pesquisa “Identidade. Qual é a sua?”, realizada no primeiro semestre do ano passado pelo Portal Educacional com 1.406 estudantes dos ensinos fundamental e médio, de 18 estados brasileiros, 56% afirmaram que o dinheiro é muito importante.
No entanto, em uma lista de 17 itens apresentada aos adolescentes, o dinheiro ficou na 12ª posição, atrás de itens como “estar bem informado” – algo considerado muito importante para 83% dos jovens – ou “ter seu espaço” (85%).
A liberdade e o sucesso profissional ganharam maior adesão dos adolescentes entrevistados do que o dinheiro simplesmente, apesar de este ser o principal meio para as conquistas almejadas.
O que diferencia a situação entre os jovens brasileiros, segundo D´Aquino, é que eles não conheceram a inflação elevada e podem agora, com a estabilidade da moeda brasileira, fazer planos para a conquista dos seus objetivos.
A pesquisa ainda revelou que a importância do dinheiro entre os adolescentes aumenta de acordo com a idade – quanto mais velhos, mais valor eles dão a este item.Dos entrevistados com menos de 11 anos, 25% consideraram o dinheiro muito importante. Entre os jovens com idade de 11 a 13 anos, o dinheiro é visto como importante por 52% dos participantes. Na faixa etária que compreende os jovens com idade entre 14 e 16 anos, 70% acreditam que dinheiro é importante.
Como o primeiro exemplo está dentro de casa, D´Aquino ressalta a importância de os pais acreditarem que é possível educar os filhos financeiramente, construindo objetivos concretos e sensatos ao longo do tempo. “Na construção do modelo para os filhos, nada melhor do que o próprio modelo dos pais”, acrescenta.
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