O Tesouro Direto, programa do governo federal que possibilita investimentos em títulos da dívida pública por pessoas físicas através da Internet, ficará ainda mais acessível. Em conjunto com a BM&FBovespa, o governo incentiva a integração dos sistemas de home broker das corretoras, usados para negociação de ações pela web, com o site do Tesouro Direto. "Estamos apostando muito no potencial dessa parceria com a BM&FBovespa", afirma o secretário adjunto do Tesouro, Paulo Valle.
A medida permitirá que o investidor que já realiza operações no mercado de ações pela internet possa também comprar e vender títulos públicos pelo home broker da sua corretora, sem precisar entrar no site do Tesouro Direto. A proposta é oferecer a opção de aplicação em ativos de renda variável (ações) e renda fixa (títulos públicos) num mesmo ambiente. As corretoras devem começar a oferecer o serviço unificado em outubro.
Para favorecer a unificação dos sistemas (home broker e Tesouro Direto), a bolsa criou um plano de incentivo para as corretoras, já que há custos operacionais. Será desenvolvido um kit de integração tecnológica das duas plataformas, que estará disponível até o final de maio. A segunda etapa prevê a concessão de um subsídio financeiro para dez agentes de custódia que concluírem a integração do sistema no prazo previsto.
A seleção da dezena de instituições que receberá o incentivo financeiro terá como critério: o valor da taxa de administração cobrada (quanto menor a taxa, maior sua pontuação) e a participação do agente no Tesouro Direto e no mercado de renda variável para pessoa física. Se você faz parte do grupo de investidores que têm uma carteira diversificada em ações e em títulos públicos - ou pretendem ter – poderá, em breve, fazer as duas operações pelo home broker.
Mudança na taxa de custódia
Outra medida que também visa a incentivar os investimentos da pessoa física nos títulos públicos já está em vigor. Desde o começo de abril, houve uma mudança na cobrança de taxas de custódia pela BM&FBovespa.
Antes, o investidor tinha que pagar 0,4% ao ano pela guarda dos papéis na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Agora, a tarifa foi desdobrada. A primeira é a taxa de negociação no Tesouro Direto, de 0,1%, cobrada apenas no momento da compra do papel. A segunda é a de custódia, que passa a ser de 0,3% ao ano, com cobrança proporcional ao período da aplicação e efetuada a cada semestre ou na venda do papel. (Aqui, atenção: nesse tipo de operação há três taxas – taxa de negociação, taxa de custódia e a taxa de corretagem. Para saber os percentuais desse último custo, consulte o valor que cada corretora cobra pelo serviço, no site www.tesourodireto.gov.br).
Com as mudanças na taxa de custódia, os custos finais ficaram menores para o investidor de longo prazo. A partir do segundo ano do investimento, por exemplo, ele paga apenas 0,3% e não mais 0,4% como anteriormente. Depois, o valor vai reduzindo de maneira proporcional ao aumento do período da aplicação.