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 Ser mãe também exige planejamento financeiro 

 
 

O Dia das Mães está aí e o Como Investir quer homenagear esta pessoa insubstituível e capaz de amar incondicionalmente. Ao mesmo tempo, cumprindo o propósito deste site, que é estimular a educação financeira, ouvimos Cássia D´Aquino, especialista no assunto e também mãe orgulhosa. Leia na entrevista a seguir a opinião dessa renomada especialista sobre alguns dos principais dilemas financeiros das mães. Veja, por exemplo, orientações desde o planejamento das finanças da família para a chegada do filho, sobre quando começar a falar de dinheiro com as crianças, a questão da mesada e até os custos com a faculdade. Apesar da importância do planejamento, Cassia ressalta que ser mãe é uma grande e bela aventura.


É preciso se preparar financeiramente para ser mãe?

Com a obsessão atual que as pessoas têm em planejar, organizar e idealizar tudo, do casamento à maternidade, hoje eu me preocupo mais se a mulher está preparada emocionalmente para ser mãe. Porque seguramente não há como planejar a vida depois de ter um filho. E esta é a grande aventura e beleza de estar à deriva. Nós tentamos minimizar os impactos, fazendo um plano de saúde, uma poupança, mas ser mãe é antes de tudo uma grande aventura. Porque se você planeja tudo e acha que será tudo perfeito como previsto, vai desabar na primeira vez que seu filho não reagir como o planejado. O que podemos fazer é minimizar os impactos.


O que muda no orçamento?

O foco da atenção e da preocupação passa a ser a criança. É recomendável, assim que a mulher saiba que está grávida, que se preocupe com alguma forma de poupança. Não digo um produto desses que estão no mercado, como previdência privada para crianças, voltadas para pagar a faculdade, por exemplo. A família precisa, primeiro, cuidar das suas finanças e usar o instrumento financeiro mais viável para fazer uma poupança. No futuro, o filho verá o que fazer com o dinheiro. Não adianta planejar que o dinheiro será para a faculdade, é preciso considerar que o filho irá definir os seus próprios objetivos na vida.
De imediato, é importante uma reserva para o caso de os pais faltarem. Então pense numa renda para que aquela criança possa comer, se vestir, ser educada, ter acesso à saúde. Um plano de saúde é desejável que a mãe já tenha, senão ela sente o peso dos gastos na hora do parto.
Evidentemente, a gravidez é um momento em que você se torna responsável por outra pessoa. Nunca mais aquela história de “se tiver um iogurte na geladeira está bom”. Envolve a sua possibilidade psíquica de se tornar responsável por outra pessoa. E isso tem impacto no orçamento também.
 

É fundamental ter uma poupança para a educação dos filhos?

Os pais se iludem pensando que, só porque pagam a escola, estão recebendo uma educação de qualidade. Mas o grau de ineficiência da educação brasileira não poupa escolas públicas nem privadas. Os pais devem estar sempre atentos para verificar o que aquela escola está ensinando, e onde ela, possivelmente, tem falhado. Esta é uma preocupação grande porque o processo de educação toma quase 20 anos e é preciso ter uma reserva financeira para isso. Acho perigoso, no entanto, que um bebê no berço já tenha uma verba destinada à faculdade dele. Assim você fecha o destino daquela pessoa, sendo que ela é que deveria definir o que fazer da vida. Acho recomendável ter um recurso relacionado à educação, mas não de maneira que comprometa demais o orçamento familiar. Se o jovem decide fazer faculdade, ele também pode ajudar a pagar o curso trabalhando. Há crédito educativo e outras possibilidades para viabilizar o pagamento de uma faculdade. Muitas famílias se privam de muita coisa para que o filho possa fazer faculdade.


A criança ou o jovem deve receber mesada?

A mesada é uma maneira de ensinar a lidar com o dinheiro. Não importa o seu valor. Esse dinheiro serve para que a criança ou adolescente se sinta estimulado a pensar no orçamento, poupança e seus gastos. A mesada não quebra orçamento de família nenhuma. Os gastos maiores com os filhos passam por educação, cursos de línguas, esporte, dentista. Mesada é muito simples.


Como e quando ensinar o filho a lidar com o dinheiro?

Quem fornece o indício é a própria criança, e isso tem ocorrido cada vez mais cedo. Com dois ou três anos eles olham pra você e pedem para comprar alguma coisa. É uma fase marcante porque a criança tão pequena já vem observando que a família consome e que, se ela pedir, ganha. É muito difícil resistir, aquele ser adorável te pedindo alguma coisa. Com o tempo é importante pensar na perspectiva do longo prazo, em que tipo de adulto eu desejo que aquela criança se transforme. Ter essa consciência implica em não ceder a cada vez que o filho quer alguma coisa e segurar o impulso de dar tudo o que quer.
 

Mesmo a mãe que não tem habilidade para lidar com dinheiro pode ensinar os filhos de outra forma?

A mãe que tem dificuldade em lidar com dinheiro pode primeiro reconhecer essa falha. Em seguida pode conversar com a família, com os filhos, expor a situação e convocar todos para tentar maneiras diferentes, outros padrões. Isso humaniza a relação familiar e é um aprendizado para todos. Os filhos em geral seguem o que os pais fazem. Não há como imaginar que será diferente.



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